Exposição

California

SIM Galeria

09/08/2012

Fazem parte dessa coleção, frames de detalhes da arquitetura urbana, como os desenhos das fachadas, dos portões ou a superfície mais que comum das portas de garagem. Na pintura, através desse procedimento de recorte, a imagem daquilo que é feio ou simplesmente indiferente, torna-se belo. A cor cinza esquenta e a figura se estrutura em faixas geométricas. Surge na tela um sentido de ordem, naquilo que foi captado do lugar comum e trazido à evidência sobre a superfície lisa, que no mundo real enxergava-se difuso, embaçado e pouco clara para o olhar. Agora, com uma textura cremosa torna-se preciso e perfeitamente ritmado, seguindo-se uma faixinha de cor exatamente após a outra e assim criteriosamente sendo repelidas até o final. O mesmo se dá com as pinturas que apresentam formas tubulares, lembrando a luz neon das fachadas comerciais, faixas de cor e luz apresentam-se numa sequência, justapostas umas as outras.
O caráter gráfico que se evidencia pelas escolhas cromáticas acompanhadas por essa constante gradação de tons, parece ter referência tanto em anúncios de revistas, embalagens de produtos esportivos, quanto nas cores presentes no universo virtual da internet com o qual lidamos diariamente.
Ao optar pela linguagem dos recortes, como frames, explorando detalhes de um todo, o artista realiza um processo de síntese através do qual opera uma transmutação da realidade. Assim, o que era comum ganha nas telas nova conformação, pulsante e geometrizada, fazendo surgir uma nova realidade. Calma, pontuada pelo do ritmo do gesto que cria as faixas que a atravessam, num estranho mantra, como numa meditação em cima do banal. Num processo circular entre a visualidade, aquilo que alimenta o olhar, é planificado para retornar novamente ao mundo.
 
Trecho retirado do texto “Pintura Ritmada” por Leda Catunda para o catálogo da exposição “California”