Exposição

André Azevedo & James English Leary

André Azevedo & James English Leary

SIM Galeria

18/03/2017

André Azevedo & James English Leary

abertura 18 de março às 11h
de 19 de março a 29 de abril

“Seguir sempre o rizoma por ruptura, alongar, prolongar, revezar a linha de fuga, fazê-la variar, até produzir a linha mais abstrata e a mais tortuosa, com n dimensões, com direções rompidas.” DELEUZE, Gilles, GUATTARI, Félix. Mil Platôs. Capitalismo e Esquizofrenia. 

Os trabalhos de dois artistas jovens, um de Curitiba e o outro de Nova Iorque, nos propõem uma instigante conversa no encontro promovido pela SIM Galeria em Março desse ano com a exposição “Sem Título” de André Azevedo e James English Leary.  Os dois artistas escancaram e dilatam a tensão externa, periférica entre fibras de um tecido que traja e entre tecidos de órgãos que sentem. Assim como extrapolam os limites convencionais de telas com formatos estritamente geométricos assim como enriquecem seu suporte com mídias que transitam entre o bidimensional expográfico e o tridimensional próprio de seus objetos-tema: o tecido que veste e o corpo que se transveste. 

O território e seus limites, observados um a partir do outro, são espaços mutuamente percorridos por ambos os artistas. 

André explora o território mutável do tecido, de múltiplos relevos que aderem o corpo que envolvem até chegar em sua instância menor: o nó.  Este que aponta direções e também uma relação de tensão entre superfícies. Percorrem-se territórios têxteis de fronteiras móveis, no sentido empregado por Deleuze, e que se fazem caminhos que se amarram, e mesmo que frouxos, se tensionados, estrangulam passagens. 

James por sua vez parte dos limites da tela para explorar as adjacências do corpo que toca seu exterior com braços e dedos. O artista se vale da tela retangular para fazer dela o corpo ou o palco em que o corpo pode adentrar. Nesse território-suporte moldado para acomodar anexos protuberantes, o corpo é drasticamente fragmentado e reduzido a formas semi-abstratas. Suas pinturas possuem uma inábil estranheza e tensão entre o que se vê, o que elas dizem e o que se deseja sentir com elas. Os dedos e braços são então a interseção dos territórios do corpo e dos sentidos, fronteiras entre o sujeito e o subjetivo. 

André nasceu em Curitiba e vive e trabalha em São Paulo onde cursa Bacharelado em Artes Visuais na Universidade de Belas Artes de São Paulo. Premiado em 2014 com o 3rd International Emerging Artist Award em Dubai, sua exposições individuais mais recentes incluem trabalhos na Desmoldes, Ateliê Rua São Francisco, Curitiba e Tropical Reminiscence, Joyce Gallery, Pequim, China. Azevedo também trabalhou com moda e ilustração – áreas que dialogam com sua produção artística.

James nasceu em Chicago e além de artista plástico é também cineasta e educador. Ganhou Tiffany Foundation Award em 2015 No ano anterior foi selecionado como residente de Mana onde atualmente tem seu ateliê. As exposições individuais de James incluem "Triple Motherfucker" na Vito Schnabel Projects, Nova York, "The Joys of Mortgaging Your Future" na Boyfriends, Chicago , em 2016 e "Rorschach Rhapsody" na Galeria Leyendecker, Tenerife, Espanha, em 2015. Seu trabalho foi incluído no Whitney Biennial, Greater New York show no MoMA PS1 e no Sundance Film Festival.